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quinta-feira, 7 de dezembro de 2006
Fui morar no blogspot:
http://abetterversionofme.blogspot.com
by Laura. às 19:02:38. Comentários.[0]
segunda-feira, 4 de dezembro de 2006
Voltando ao outro post, e se a gente não precisar amar coisa alguma? E se o melhor mesmo for descobrir no que a gente é eficiente e simplesmente seguir atuando nisso?
E se toda a nossa imagem de mundo, tudo o que vemos não passar de um objeto côncavo que nos colocam sobre os olhos? Um objeto côncavo com imagens que se mexem? Eu nunca vou saber como é exatamente o verde que os daltônicos vêem (e lembro do Hilton, que achava que o verde dos meus olhos, o verde da minha camisa e o verde do meu all star eram todos o mesmo e ainda dizia que eu era verde também). É muito frustrante só poder ver o que meus olhos vêem. Imagem engana muito. Seu ponto de vista é sempre só o seu. E se eu estiver completamente sozinha no universo apenas assistindo ao tal do filminho côncavo (ouvindo diálogos sem interagir, emprestando lapiseiras inexistentes, comprando entretenimento no qual não encosto, me apaixonando por espectros)? Já reparou como a gente sente muito mais quando está de olhos fechados? É que nem beijar, na verdade. De olhos fechados, é sensação e só. É mais compreensível assim. Talvez enxergar seja apenas uma forma útil (muito útil e maravilhosa, convenhamos) de se confundir.
Eu não só voltei, como voltei existencialista. Culpe o tempo que passo sozinha no metrô.
Ouvindo: Benflos - Fragmentos de Desculpa
by Laura. às 18:43:34. Comentários.[1]
Uma coisa esquisita a meu respeito é que eu tendo a cismar com pessoas de quem eu não gosto - ou não deveria gostar. Vou explicar.
Suponha que eu seja amante de alguém. Por certo tempo, eu vou ficar obcecada pela namorada do cara. Mas de um jeito estranho, porque eu fico procurando coisas boas nela, motivos para não odiá-la. Sou capaz inclusive de ficar amicíssima de verdade dela e contar tudo depois. Da mesma forma que, se eu fosse uma namorada traída, iria me obcecar pela outra pessoa, até muito tempo depois do acontecido, mesmo que fosse coisa de uma vez só, mesmo que ele mesmo jamais tivesse tido qualquer outro contato com ela e que eu e ele já estivéssemos completamente de bem um com o outro. E eu faço de tudo pra me convencer de que aquela pessoa é legal sim. Isso sempre funcionou comigo. É tipo a Alanis Morrissette, que hoje em dia não escuto, mas eu a detestava tanto quando via o clipe de Thank You, que cismei com ela e, quando fui ver, já tinha todos os cds e adorava. É tipo a Björk. É tipo o Matheus (sério, chega a ser doentio, porque eu sempre soube que gostaria dele um dia, apenas porque eu não gostava dele, me incomodava com ele, então, foi muito perverso da minha parte puxar assunto por scrap e começar a conversar por msn, e olha como é hoje em dia...). E por aí vai. Normalmente dá certo. Sempre deu certo. Eu sempre termino pensando: "E não é que a pessoa legal?? Ah, me dá um abraço!". E supero tudo e sigo feliz assim.
Então, acho que vocês devem imaginar minha decepção quando vi que ela é idiota mesmo (e BURRA).
Ouvindo: PJ Harvey - Kamikaze
by Laura. às 12:07:08. Comentários.[1]
sábado, 2 de dezembro de 2006
Enfim aluguei Adaptação, uma das loucuras do Charlie Kaufmann. Sabe que eu adoro orquídeas? Desde pequena, sempre gostei de orquídeas.
Acho que não escrevo contos e histórias grandes há mais de dois anos. Parece que perdi o senso das coisas, sejam as do mundo, sejam as minhas. Não consigo me dedicar a uma coisa só. Pior do que isso, não consigo nem me concentrar numa coisa só. É porque tudo acontece ao mesmo tempo, tudo acontece muito, demais e fica difícil parar num lugar só, quando tudo é tanto mais. Fica difícil separar. Não sei escolher temas, enfio um dentro de outro.
Quando eu era pequena, era fascinada por dinossauros, insetos e alguns outros bichos. Eu lia a respeito em tudo que é canto. Principalmente besouros. Eu sabia nomes de besouros, as diferentes espécies de besouros e era especialmente atraída pelo besouro Golias, que era preto e branco e podia chegar a 18cm. Um dia, em Iguaba, quando ainda nem tinha casa lá e estava voltando da praia, chegando na casa da minha prima Viviane, vi um besouro Golias morto. Era do tamanho da minha mão. Fiquei muito tempo olhando pra ele, impressionada, e quis pegar pra levar pra casa, mas minha mãe não deixou (acho que isso é um trauma de infância). Nessa época, eu já tinha dentro de uma caixinha três cascas de cigarra, mas um besouro Golias é coisa rara, valia muito a pena guardar! Não sei como abandonei os besouros (hoje em dia, não lembro do nome de mais nenhum), mas sei que, dali em diante, nunca mais me interessei desse jeito por algo. Me interessei, mas não desse jeito. (Acho que isso remete à música que dá título ao blog, afinal, a frase mais batida dela é "Alguma coisa a gente tem que amar, mas o que, não sei mais")
Ultimamente, tenho me dedicado a uma única música no piano. Uma valsa do Francisco Mignone, que vou ter que tocar na prova da Villa-Lobos segunda-feira. E aí, anteontem, fui tocar outras músicas e me frustrei ao descobrir que não sei mais tocar muito bem grande parte delas. Parei na valsa. Será que é assim que funciona? Dedicar-se a algo específico é necessariamente ser desleixado em outras áreas? Eu acho que quanto mais você se dedica a um projeto, menos enxerga o projeto em si. A dedicação passa a ser mais importante do que o objeto. Isso acontece bastante, em situações variadas. Como se eu ganhasse orquídeas, por exemplo. Adoro orquídeas, mas se alguém me desse orquídeas, eu gostaria mais de ter ganho orquídeas, do ato, do que das orquídeas propriamente ditas. O princípio se perde no meio do caminho. Talvez a Bia tenha razão e esteja aí a prova de que eu dou muita importância ao contexto...
E tem a música, que fica repetindo na minha cabeça, a letra que nem sei se é mesmo do VP, que diz: "Preciso de algo que me inflame". Da mesma forma que acho que não me dedico a uma coisa só porque são muitas as coisas que considero interessantes, isso não deixa de ser uma forma de não me dedicar verdadeiramente a nenhuma delas. E caí nessa agora. Não agora, já tem um tempo. Talvez eu nem sinta falta de variedade quando encontrar "algo que me inflame" (quando ou se?). O problema é que eu tendo a me apaixonar por pessoas e faço delas um princípio ativo. 2005 foi todo assim (mas de um jeito perverso, porque eu sabia e era proposital, frio e premeditado). O grande problema de usar paixão por pessoas é que elas se movem. Quando você se apaixona por um objetivo, uma causa ou... sei lá, um jogo, é "seguro". São inanimados. As únicas paixões que podem não se desgastar são por coisas. Um segundo agente põe tudo a perder, gente sempre põe tudo a perder, inevitavelmente. É por isso que é muito mais realizável quando sua vontade é algo específico com um alguém qualquer. Complica é quando sua vontade é algo qualquer com alguém específico. Sua paixão é sua, mas não depende só de você se o objeto da paixão for alguém. Portanto, essas paixões não dão certo se você procura uma paixão de vida. É preciso de mais. Mas tudo bem, eu nunca procurei uma paixão de vida numa pessoa - apenas uma pessoa que simpatizasse com essa idéia, talvez.
Tem uma parte no filme em que o cara lá diz que gosta de plantas por causa da adaptação delas. Então, a personagem da Meryl Streep diz que isso é porque elas não têm memória, que é fácil deixar tudo pra trás e montar vida nova quando não se tem memória. Mas adaptação não vem da falta de memória. Memória todo mundo tem. Dificuldade de adaptação vem do apego que se tem ao que se guarda, na memória ou não. E eu tenho esse apego. Sigo em frente, levo minha vida, vou pra novas situações, mas sempre levo uma cena ou outra comigo. Sinto que nunca esqueço nada por completo, nada. Os fatos da minha vida nunca se tornam meras lembranças, eles fazem questão de permanecer pedacinhos de mim, vivos, ainda sentindo e metendo o nariz e me fazendo sentir. Talvez seja por isso que sinto tudo ao mesmo tempo e não consigo me concentrar num tema só. Talvez por isso eu sempre tenha uma história dentro da outra e talvez aí esteja a explicação ativa do que a Patrícia me disse, que sou a Sra. Aposto.
Estou repetindo uma situação outra vez. Cresci, aprendi novos meios de lidar e táticas para não me magoar. Mas na raiz da questão, é o mesmo. Minha mãe disse que preciso de uma medida drástica pra quebrar o ciclo, romper esse meu padrão. Algo como fazer a coisa errada, já que sempre procuro fazer o politicamente correto. Bem, a essa altura, sinceramente não me importo se é errado, se é certo, se é apenas incomum. Vale tentar.
E volto aqui do hiatus do blog, do hiatus de mim. Estive meditando. Passei 2006 meditando... Era tanto acontecendo, tanto com o que lidar que meditar foi bem mais fácil. Agora estou assimilando e volto pra agir em um momento menos conturbado. I miss that stupid ache.
Ouvindo: Black Box Recorder - I Ran All The Way Home
by Laura. às 18:17:56. Comentários.[0]
segunda-feira, 16 de outubro de 2006
E aí, eu reparti o cabelo pro lado. Pra ver se eu consigo descentralizar e começo a tombar pro lado direito.
Ambigüidade à vontade por aqui.
by Laura. às 18:55:10. Comentários.[0]
quinta-feira, 5 de outubro de 2006
Tive vontades controversas o dia inteiro. Alguém me dê um pouco de coerência, por favor.
by Laura. às 18:27:42. Comentários.[0]
sexta-feira, 22 de setembro de 2006
Aí eu resolvi me tornar adepta da negação e descobri que esse negócio funciona pra mim.
(...)
Marquei estrelinha em vinte e um dos trinta e cinco filmes que quero ver no festival. Mas vou acabar vendo uns quatro. Amanhã é dia do meu amado Kevin Smith e o resto vou tentar decidir logo pra comprar amanhã também.
Terça-feira foi maravilhoso e eu vou ficar aqui pra sempre se parar pra contar. Obrigada, Gram. E não é à toa que eu digo que o Odisséia é minha terceira casa (porque a segunda é a da Jeanne).
Ouvindo: Mindy Smith - It's Amazing (boa indicação do Bruno)
by Laura. às 22:30:36. Comentários.[0]
segunda-feira, 18 de setembro de 2006
Eu estava pronta pra começar um parágrafo sobre como o céu estava novamente sentindo por mim a raiva de um chão de quadradinhos irregulares e de como as 6h da manhã de hoje pareciam ser 6h da tarde, quando de repente, abriu um sol. Tudo bem que nada disso deixou de ser verdade, mas ter que tirar o casaco pra continuar andando e ver meninas passando de shortinho e top realmente me fazem perder o tom de apelo dramático.
Acho interessantíssima a expressão "fazer hora". A gente costuma dizer isso quando está à toa até determinado horário e precisa ocupar o tempo até lá. Mas se for parar pra pensar, é isso o que se faz o tempo todo: fazer hora.
E hoje eu fui fazer hora na Saraiva da Ouvidor novamente. Dessa vez, criativa que sou, fui direto ao livro dos diários da Sylvia Plath. Ele é muito grande e por isso, não o carrego pra ler por aí, só leio em casa. Então, estando à toa no centro da cidade e querendo lê-lo, fui até lá e continuei de onde parei no meu. Só não pude sublinhar, né. Mas já vi que vou acabar fazendo isso toda segunda.
Sábado foi um dia feliz. Fui ver outra vez o Obrigado Por Fumar, com a Vivian (e não íamos ao cinema juntas há nove anos) e depois, Moptop na lona aqui de Vista Alegre, o que era imperdível pelo menos pela proximidade. E acabou que foi tudo muito bom, tudo muito bem, matei saudade das pessoas felizes e depois até fui citada no site, muito chiquemente, porque eu amo advérbios de modo.
Estou enrolando porque não quero falar do que eu quero falar. As pessoas são muito dramáticas, levam tudo muito a sério e não entendem nada. Ai, que saco. (Quanta eloquência...)
Apesar de (...), meu humor anda maravilhoso. Estou finalmente indo todo dia ao curso e gostando muito das aulas. E das pessoas. Meu grupinho (porque é claro que há um) é ótimo. E estou, enfim, investindo em opções.
Amanhã, Gram no Odisséia. Eu, na lojinha. \o/
Ouvindo: Marisa Monte - Pra Ser Sincero
by Laura. às 15:58:42. Comentários.[0]
quarta-feira, 13 de setembro de 2006
Na verdade, esse negócio de não saber mais escrever é uma grande mentira. O blog está em branco, mas os cadernos estão cheios. Tem de tudo, é só escolher: poesia, conto, crônica, análise crítica, querido-diário, carta, hai-kai, idéia, pensamento, reflexão, rabisco, desenho, plano, tradução, letra de música... Até o caderno com pauta musical tem novidade. Fui tentar tirar Parting Gift no piano, acabei fazendo coisas legais que resolvi transformar em algo. Espero conseguir. Até porque, meus vizinhos não merecem ouvir Bach e Tchaikovsky o dia inteiro, é bom proporcionar uma certa variedade à platéia involuntária. Enfim.
Tenho andado bastante. Não saído pra caminhar, isso eu não faço, não consigo aceitar a idéia de ir em direção ao nada (tipo, se você me chamar pra ir andando até a padaria no outro quarteirão, eu vou, mas se você me chamar pra simplesmente dar a volta no quarteirão, eu nego pela simples falta de propósito). Eu tenho aproveitado qualquer chance de andar, porque tenho tido vontade de andar. E eu resolvi passar a atender minhas vontades de fácil realização. Pelo prazer de realizar vontades. Nesse caso, se não dá pra ser por qualidade, que seja por quantidade. Aceito.
Sendo assim, segunda-feira saí cedo do curso. Peguei o lindo-maravilhoso-gostosérrimo 498 (não estou sendo irônica, eu realmente gosto muito desse ônibus) e fui pra Villa-Lobos. Acabei chegando antes de 11:30h. Tentei ler um pouco, mas não conseguia me concentrar. Fiquei escrevendo e ouvindo o cd da Mariana Davies, voltando às raízes. Acabou que deu meio-dia e achei melhor comer logo pra não pegar o horário de almoço das pessoas rotineiras. Andei até a Parmê, comi duas fatias felizes de pizza e fui pra Saraiva da Ouvidor. Pára tudo:
A Saraiva da Ouvidor é o melhor lugar do mundo.
Nojenta a quantidade de coisa boa que tinha lá. Vários livros de gente que eu quero trazer pra morar no meu quarto. Ao som de Run do Snow Patrol, dei logo de cara com um livro grande, verde, escrito bem grande Katherine M. e abri, isso mesmo, coletânea de contos com capa bonita da Katherine Mansfield. E tinha um do mesmo estilo, de capa mais bonita, vinho, da Virginia Woolf. Dou a volta. Petrarca. Rainer Maria Rilke. Florbela Espanca. García Lorca. Walt Whitman. TS Elliot. Toda essa gente que eu quero conhecer melhor. Até Ted Hughes!!! Eu estava procurando Emily Dickinson, mas não encontrei. Vários bons sustos depois, lembrei que já estou lendo uns cinco livros ao mesmo tempo (Anne Carson, Katherine Mansfield, dois da Hilda Hilst e os diários da Sylvia Plath) e achei melhor guardar meu dinheiro pra coisas mais frívolas.
Fui ver os cds. Fiona Apple a 94 reais é abuso. Sinto muito. Vários cds que eu compraria se tivesse mais dinheiro e achasse que valeria mais à pena. Na parte de nacional, gente conhecida. Sempre vou achar isso um pouco... ãhn... esquisito. Na parte de cantoras, achei Camille (mas ela é daquelas que eu acho que não vale aquilo tudo pro meu bolso) e até minha tia-avó com o Zimbo Trio (exatamente o cd que tenho no computador). Acabei não comprando nada.
E pra atender minha vontade de andar, não peguei metrô na Uruguaiana. Nem na Carioca. Andei até o Odeon e peguei metrô na Cinelândia. Cheguei em casa exausta, mas revigorada. E tudo o que eu quero semana que vem é trabalhar no show do Gram na terça. Ainda não sei se a produtora nos (eu e Jeanne) quer, mas eu quero muito que ela queira. Porque estou precisando muito disso. Quero ir trabalhar não é nem pelo dinheiro que vai me proporcionar a compra do cd, nem pelo show em si (que eu estou morrendo de saudades). Mas por ser no Odisséia e ver pessoas, o clima, as luzes, as músicas... Vontade de encontro. Sabe?
Vontade de novidade. ... Onde foi que eu fui parar dessa vez?
Ouvindo: Mariana Davies - Meia-Volta
by Laura. às 14:57:59. Comentários.[0]
terça-feira, 12 de setembro de 2006
Alguém, por favor, me impeça de pôr a música Your Love Is The Place Where I Come From nas minhas playlists. Toda vez que faço isso, acabo não ouvindo mais nada. Essa música é irresistível.
E eu não sei mais escrever. Mas leio que é uma beleza!
by Laura. às 23:16:48. Comentários.[1]
sábado, 2 de setembro de 2006
Ontem escrevi desesperos que há tempos não escrevia. Como sempre, me senti meio maluca. Eu só escrevia coisas assim no primeiro ano ou quando ficava muito tempo lendo Heloísa Seixas. Mas ontem eu li, num impulso, Fluxo da Hilda Hilst, conto do Fluxo-Floema, que as meninas me deram de aniversário. E então, peguei o caderninho e escrevi umas quatro folhas, num impulso ainda mais forte, que me assustou quando terminei, eu não sabia que era aquilo tudo o que eu não queria dizer. Isso tudo no curso. Aula de biologia que, acredite ou não, eu até prestei atenção. Sempre adorei biologia e esse professor é bem divertido.
Tenho medo. Não desmoronei até agora. Não tive nem vontade de desmoronar até agora e tenho medo de que esse desmoronamento aconteça na hora errada. Ou numa hora desconfortável, pelo menos. Não quero. Não quero, não quero. Não posso ainda encarar isso de frente, olhar nos olhos, falar a respeito abertamente. Mas quero, isso eu quero. Como é que não sei. Medinho. Medinho de não conseguir ou conseguir demais.
"PSICOGRAFIA
Também eu saio à revelia
e procuro uma síntese nas demoras
cato obsessões com fria têmpera e digo
do coração: não soube e digo
da palavra: não digo (não posso ainda acreditar
na vida) e demito o verso como quem acena
e vivo como quem despede a raiva de ter visto"
"FISIONOMIA
não é mentira
é outra
a dor que dói
em mim
é um projeto
de passeio
em círculo
um malogro
do objeto
em foco
a intensidade
de luz
de tarde
no jardim
é outra
outra a dor que dói"
Ana Cristina César, Hilda Hilst, Mariana Davies, Fiona Apple e, principalmente, Rachael Yamagata, as melhores companhias dos últimos dias (e meses). Mas voltei a escrever. Igual a uma louca. Deu até mais saudade da Jennifer, da época em que só escrevíamos loucuras (ela mostrava as dela pra todo mundo e todo mundo a achava louca, eu escondia as minhas de todo mundo e todo mundo minha achava esquisita) e mostrávamos nossas loucuras uma pra outra e éramos felizes assim e até escrevemos juntas uma vez. Era bom isso. Não que eu esteja escrevendo pelo drama atual. Não. O drama atual ainda não está me ocupando, sabe-se lá por que (o choque, deve ser o choque), mas é muito bom voltar a escrever. Tirei algumas músicas no piano também. Outro pedacinho de Get Gone da Fiona Apple e o início de Under My Skin (melhor música de todos os tempos de agora) da Rachael Yamagata. E agora eu vim pro blog dizer qualquer coisa, porque não digo qualquer coisa tem um certo tempo e achei que devia me pronunciar, senão, é por que mesmo que tenho um blog? E peguei no youtube o vídeo de (Are You) The One I've Been Waiting For?, minha música preferida do tio Nick Cave, que é feio que dói, mas quero que seja pai dos meus filhos toda vez que o vejo, mesmo que agora declare por aí que o dono do meu coração é Sondre Lerche. Sinto um triângulo amoroso com os dois.
Eu queria ir pra casa da Marina (ex-Nanny) hoje. Selecionar textos pra um novo projeto de livro, ver um filminho, comer besteira... sei lá, essa chuva toda desanima saídas de casa e na última vez que nos falamos, ela não sabia se poderia. E preciso traduzir o tal do Mary Queen of Scots e preciso tocar piano. Maldito Bach. Musiquinha complicadinha essa nova.
A boa notícia é que voltei a dormir normalmente. Há duas semanas já, durmo bem. E eu não faço o menor sentido.
"Por favor, tudo isso tem sentido, tem sentido tudo o que aparentemente não tem sentido, e tem sentido também tudo o que realmente não tem sentido. Ah, eu queria ter sentido. Eu queria ter sentido aquela água na cara outra vez, aliás eu gostaria de ter sentido aquela água na cara outra vez".
Ouvindo: Radiohead - Lucky
by Laura. às 10:51:50. Comentários.[1]
sexta-feira, 25 de agosto de 2006
< metáfora >
Imagine que você esteja de frente prum video game. Um jogo de 10 fases que você já conseguiu chegar até a 8. Agora a merda pifou na fase 5.
Irritante, não?
< / metáfora >
Ouvindo: Los Hermanos - Conversa de Botas Batidas
by Laura. às 13:30:05. Comentários.[2]
quarta-feira, 23 de agosto de 2006
Oh darlin', you're a million ways to be cruel.
Ok go.
by Laura. às 13:48:40. Comentários.[0]
segunda-feira, 14 de agosto de 2006
Hoje o Vladimir veio do fim do corredor olhando pra minha cara e quando chegou mais perto, disse:
- Eu vou te fazer um elogio esquisito.
Fiz cara de interrogação e ele fez o elogio esquisito:
- Você poderia ter barba!
Enquanto eu dava ainda mais ênfase à cara de interrogação, ele ria. E enfim, disse:
- Você tem umas feições tão bonitas que você poderia ter barba que não estragava.
Uma pena que esses elogios esquisitos não venham das pessoas certas.
by Laura. às 20:58:48. Comentários.[3]
quarta-feira, 9 de agosto de 2006
Aí um dia, eu cansei de ser prolixa. Mentira. Mas eu ligo sim pro que os outros pensam.
(...)
Crianças, vamos lá, prestem atenção na titia aqui: não se deve sair por aí se achando especial pra qualquer pessoa com quem você troque um flerte. Um flerte é só um flerte. No fim do flerte, nem coleguinhas vocês precisam ficar. Entenderam? Favor gravar numa fitinha e pôr pra repetir antes de dormir, pra ver se entra na cabeça por meio da hipnose. Boa sorte, garotada!
Ouvindo: Bic Runga - That's Alright
by Laura. às 21:07:09. Comentários.[1]
terça-feira, 8 de agosto de 2006
Tem coisa mais broxante do que homem que não entende ironia??
by Laura. às 15:57:44. Comentários.[0]
sexta-feira, 4 de agosto de 2006
Engraçado como o inconsciente sempre dá um jeito de fazer o que a gente quer. Embora toda a sua visão e raciocínio lógico te façam não acreditar em determinadas coisas, se você gostaria de acreditar, o inconsciente vai lá e dá um jeito pra você.
E sabe o que acontece? Você faz xixi na cama.
Todo mundo já passou por isso. Estava dormindo, com vontade de fazer xixi e não queria acordar/levantar para ir ao banheiro. E o que que acontece no seu sonho?? Surge um banheiro na sua frente! E seu eu-inconsciente, esperto como ele só, vai até lá, arria as calças e faz xixi. Só que seu consciente burrinho, coitado, não separa as coisas e faz também. No sonho, você está satisfeito. Na vida, você acorda por estar molhado.
Hoje eu sonhei com banheiro, mas levantei antes de fazer xixi. Não deixo o inconsciente passar a perna em mim outra vez tão cedo depois das experiências de 2006.
Ouvindo: Benflos - O Vão Entre o Trem e a Plataforma
by Laura. às 09:59:13. Comentários.[3]
quinta-feira, 3 de agosto de 2006
Como a gente nunca sabe quanto vai durar (ha, adoro referências musicais), foi no final de maio que falei disso, por alto, com o Adiron. Eu estava bem frustrada porque aquela semana em particular havia realmente me feito lamentar as coisas como elas eram.
E eu perguntei, com cara de pelamordedeus-me-arranja-uma-solução:
- E se isso tudo não der em nada?
Ele segurou meu rosto e disse, pausadamente:
- Aí, a gente pega, junta, faz um buraco no chão, enterra bem enterrado; uma semana depois, faz uma missa de sétimo dia, supera e segue a vida.
E foi daí que eu tirei o "não quero saber de futuros enterros, ah não, eu quero ser feliz pra sempre".
Mas então, que dia faz/fez uma semana mesmo, hein?
Ouvindo: Vinícius de Moraes - Samba em Prelúdio
by Laura. às 19:44:42. Comentários.[0]
quarta-feira, 2 de agosto de 2006
As coisas ficaram muito menos confortáveis depois que esqueci pra sempre o SAP2004. Era muito mais fácil gostar de alguém que era impossível de verdade.
Eu até ia desenvolver o tema, mas acabei de perceber que a introdução é bem clara e auto-suficiente. Pra que falar mais?
Ai, essa vida que sempre segue...
Ouvindo: Beth Gibbons - Sand River
by Laura. às 13:45:49. Comentários.[2]
terça-feira, 1 de agosto de 2006
*Post editado.
by Laura. às 22:56:18. Comentários.[0]
segunda-feira, 31 de julho de 2006
Exercendo a minha função de clichê ambulante:
Aí, como já era de se esperar, o cara arranjou uma namorada. Não que agora eu tenha descoberto em mim algum interesse nele, antes oculto. Mas não era pra ser assim. Era pra ele ficar disponível eternamente esperando que algum dia eu resolvesse querer algo com ele.
Eu sou legal, né?
Ouvindo: Fiona Apple - Shadowboxer
"You made me a shadowboxer, baby
I wanna be ready for what you do"
**Post editado.
Parte 2:
- Pra tudo tem solução! - disse o cara da mesa ao lado no boteco em Copacabana.
E eu tive que olhar pra trás outra vez e responder:
- Bom ouvir isso!
Ouvindo: Fiona Apple - On The Bound
"Baby, say it's all gonna be alright
I believe that it isn't
by Laura. às 14:07:33. Comentários.[1]
sábado, 29 de julho de 2006
- Reli ontem tudo o que escrevi e enviei no início da semana e eu não relia aquilo desde o dia em questão (quando perdi a conta da quantidade de vezes que reli, começando a pensar na hipótese de que eu seja obcecada por mim mesma). Após essa releitura já mais calma e fria, pude constatar uma coisa: puta que pariu, eu sou um clichê ambulante! Constatação essa nada original e recente, mas importantíssima na atual conjuntura.
- Ouvir o combo ep+cd da Rachael Yamagata quase no máximo no meu discman é uma das melhores coisas que eu já descobri. Aquele som me exclui do mundo e anula o mundo de mim. Assim, me concentro de verdade do livro da Hilda Hilst - o fechamento felicíssimo da minha semana.
- Descendo a rua que tenho que descer pra chegar a minha casa depois de descer do ônibus, uma PIPA caiu na minha cara. Assim, bem ridículo mesmo. O garotinho estava soltando pipa, eu passei por baixo, a pipa caiu no exato momento em que eu passei e ela caiu bem na minha cara, derrubou meu óculos no chão e tudo. Cena agradabilíssima.
- Eu ia falar outra coisa, mas esqueci.
Ouvindo: Ben Kweller - On My Way
by Laura. às 15:38:42. Comentários.[1]
terça-feira, 25 de julho de 2006
Sabe quando você quer muito dizer algo e acha que não vai conseguir e aí depois que consegue fica sentindo um vazio de quem literalmente pôs tudo pra fora? Então.
Ouvindo: Rachael Yamagata - Be Be Your Love
by Laura. às 19:13:29. Comentários.[0]
domingo, 23 de julho de 2006
Ando meio decepcionada com as pessoas, com os relacionamentos e com a vida que isso tudo provoca. Não em mim. Apesar de (...), decepção não é termo pra MINHA vida atualmente. Mas eu ando observando as vidas a minha volta e... caramba, tem gente que é filha da puta mesmo! Não tem nem um jeito melhor de dizer, porque é isso mesmo: filhadaputagem. Eu esperava mais caráter das pessoas das pessoas.
É porque eu tenho complexo de boazinha. Eu quero sempre ser boazinha e sempre enxergar que todos são bonzinhos também. Mas acontece que tem gente que simplesmente não é. Ou não sabe ser ou não se importa em ser... e acaba estragando muita coisa e isso me dá um cansaço... Porque eu começo a ter que rever conceitos e idéias, procurando algum sentido que, como bem disseram por aí, não é necessário. Quem foi que disse que as pessoas precisam fazer sentido, ser coerentes, né? Eu apenas tenho dado sorte nesse quesito. Porque o normal não é esse. É aquele que só aparece pra causar [mais] problema, é aquele que simplesmente não se importa em aparecer, é aquele que apareceu na hora errada, é aquele que fez a coisa errada na cara de pau. Sempre tem alguma coisa.
O que incomoda é que não sei mais atrás do que corremos, se isso o que buscamos existe afinal. Fico esperando Godot (isso me lembra a Nanny) de frente pro computador, com a cara no caderno e no meio das músicas.
Vamos fazer comida. Vamos falar de macarrão com queijo. De lápis de cor. Quero banalidades. Qualquer coisa que não possa fazer doer. Porque eu to muito, muito pesada. Vamos pro Beluga. Se é pra esperar Godot, que ao menos seja com amigas de verdade e rindo de besteiras cotidianas enquanto comemos batata roastie e esfiha de chocolate.
"Sempre que eu perco a esperança
Um fio dela, no mundo
Me alcança
Por mais que eu ache o ser humano vil
Acabo abrindo um sorriso
Pra qualquer passarinho vizinho
Assoviando
The Fool on the Hill"
(um otimismo do Vitor Paiva que me faz sorrir)
Ouvindo: Beatles - The Fool on the Hill
by Laura. às 17:04:14. Comentários.[1]
sábado, 22 de julho de 2006
"It's the breaking of the waves that were about to really carry some place"
O problema do fotolog é que ele é público (me sinto fútil, fútil, fútil toda vez que recorro a ele). O problema do gmail é que ele não é (me sinto idiota, idiota, idiota por ter recorrido a ele).
Por alguns momentos, quis responder em bom português, alguma tradução para "don't bother replying to me AT ALL", mas sinceramente, ao fim das contas, nem disso deu vontade.
Grosseria a parte (sim, grosseria), tempestade em copo d'água da minha parte ou não, essa foi a primeira vez que incomodou. E nossa, como incomodou.
Desnecessário.
by Laura. às 12:33:25. Comentários.[0]
sexta-feira, 21 de julho de 2006
Quem me conhece há mais tempo sabe que sempre tive um problema espiritual com eletrônicos. Como assim? Vou explicar: nada nunca funciona comigo. Eu conto e fica até difícil de acreditar, mas é a mais pura verdade que já ganhei discman novinho da loja e veio com defeito. DUAS VEZES. De marcas diferentes, de pessoas diferentes, eu consegui ganhar em vezes diferentes, dois discmans com defeito de fábrica. Meu walkman, da época em que se usava walkman, durou duas semanas. Não sei por que.
Tem os cds também. Há anos atrás, comprei o cd da trilha sonora de Dawson's Creek. E apesar de estar tudo certo na caixa, no encarte e no cd, o conteúdo do cd era Zezé DiCamargo e Luciano. Também teve o Black Market Music do Placebo, que veio com duas músicas faltando. Ou quando eu era criança e meu pai comprou pra mim uma fita k7 dos Mamonas Assassinas e veio Xuxa. Há uma série de exemplos de como eu não nasci pra lidar com essas coisas.
Só que parece que a maldição está chegando ao fim. Ou é só porque estamos na era do ipod. O que acontece é que minha mãe ganhou um discman (longa história) e me deu. E ele tem sido maravilhoso pra mim. Antes de mais nada: funciona. E agora quando lembro de alguns dias, penso no meu discman como também um personagem da história do tal dia. Era ele que estava comigo tocando Weezer naquela terça-feira fatídica e era ele que estava tocando Carina Round naquela outra terça-feira fatídica, duas semanas depois, acho. E foi ele que passou o dia tocando Rachael Yamagata ontem (da Penha até Botafogo e depois de Copacabana até a Av. Brás de Pina).
É bom me desligar um pouco do mundo. Do som do mundo (e também do som da minha cabeça insistente). Indo contra qualquer recomendação saudável, pus o volume próximo ao máximo e passei a viagem inteira no metrô prestando atenção só nas letras, voz e piano da moça. Sem pensar. E de repente, eu me senti muito bem de estar ali sem saber do que aquele grupo a minha frente ria tanto. Sem saber o que a voz do metrô estava avisando. Tendo que identificar a estação seguinte observando os lugares por onde estava passando.
Hoje, senti falta daquele silêncio particular.
Estou pouco.
Ouvindo: Rachael Yamagata - Letter Read
by Laura. às 13:08:16. Comentários.[0]
Ou não.
by Laura. às 12:19:32. Comentários.[0]
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